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Climatério e menopausa
Reposição hormonal e menopausa
O tratamento mais eficaz para as ondas de calor, os suores noturnos e o ressecamento vaginal — com as indicações, as contraindicações e os números na mesa.
01 O que muda na menopausa
O que muda na menopausa — e o que é a reposição hormonal
A menopausa é o último ciclo menstrual. Só se confirma depois, quando se completam doze meses sem menstruar. O que incomoda, na maioria das vezes, não começa nesse dia: começa nos anos que o antecedem, quando os hormônios do ovário passam a oscilar.
As queixas mais comuns são as ondas de calor e os suores noturnos, o sono que deixa de ser reparador, o ressecamento vaginal e a dor na relação. Nenhuma delas é obrigatória, e nenhuma delas precisa ser suportada em silêncio.
A terapia hormonal — também chamada de reposição hormonal — repõe o estrogênio que o ovário deixou de produzir. Quando o útero está presente, o estrogênio vem acompanhado de um progestagênio, que protege o endométrio. É o tratamento mais eficaz para os sintomas vasomotores e para a síndrome geniturinária da menopausa, e também previne a perda de massa óssea.
O que ela não é. Reposição hormonal da menopausa não é “modulação hormonal”, não é implante para estética, ganho de massa muscular ou desempenho, e não se guia por dosagem hormonal em saliva ou urina — método considerado não confiável para definir dose. Se você chegou aqui procurando isso, esta não é a página, e não é o que se faz neste consultório.
02 Para quem é — e para quem não é
Para quem é
| Ondas de calor e suores noturnos que atrapalham o dia ou o sono | É a principal indicação, e a de melhor resposta |
|---|---|
| Menopausa precoce ou insuficiência ovariana | Situação diferente das demais — tem seção própria nesta página |
| Ressecamento vaginal, ardor e dor na relação | A síndrome geniturinária tem tratamento próprio, inclusive local |
| Prevenção da perda óssea em mulheres com risco aumentado de fratura | Prevenção, não tratamento de osteoporose já estabelecida — para essa há outras medicações de primeira escolha. A avaliação da massa óssea faz parte da consulta |
Quando a terapia hormonal não é indicada
- sangramento vaginal sem causa esclarecida
- câncer de mama ou de endométrio, atual ou anterior
- doença hepática grave
- trombose venosa ou embolia pulmonar, atual ou no passado
- infarto, AVC ou doença coronariana, atual ou no passado
- trombofilia conhecida ou alto risco hereditário de trombose
Há outras situações que não impedem o tratamento, mas mudam a forma de fazê-lo — e são avaliadas na consulta.
Uma ressalva importante. O tratamento vaginal local de baixa dose, usado para ressecamento e dor na relação, tem absorção mínima no organismo e segue regras próprias. Mulheres que tiveram câncer de mama podem, em avaliação conjunta com o oncologista, ser candidatas a ele mesmo quando a terapia hormonal sistêmica está contraindicada.
03 Como é feita
Vias de administração e acompanhamento
Não existe uma única forma. O estrogênio pode ser usado por via oral, transdérmica — adesivo ou gel na pele — ou vaginal. Quando há útero, entra também o progestagênio.
A via muda o risco, e essa é a informação mais útil desta página.
O hormônio tomado por boca passa primeiro pelo fígado, onde interfere em fatores de coagulação. O adesivo e o gel não fazem esse caminho. Estudos observacionais indicam que a via transdérmica está associada a menor risco de eventos tromboembólicos, e o mesmo se sugere para o AVC. São dados observacionais — não há ensaio clínico comparando as duas vias de frente — mas a consistência é suficiente para que a via transdérmica seja preferida quando existe preocupação com trombose.
Por isso, neste consultório a via transdérmica é a primeira escolha, e o comprimido fica reservado a situações em que o adesivo ou o gel não são viáveis.
A via vaginal é outra conversa
Quando a queixa é apenas geniturinária — ressecamento, ardor, dor na relação, urgência urinária —, o tratamento de escolha costuma ser o estrogênio vaginal de baixa dose. Ele age onde precisa, tem absorção sistêmica mínima e, na maioria dos casos, dispensa o progestagênio.
Isso significa que ele não carrega os riscos descritos na próxima seção. Os números de câncer de mama, trombose e doença cardiovascular que você vai ler ali são da terapia sistêmica. A terapia vaginal local tem perfil próprio, e é por isso que ela aparece separada aqui.
O que a via não muda
Entre as vias sistêmicas, a escolha entre comprimido e adesivo não altera o risco de câncer de mama — nesse ponto elas se equivalem. Quem faz diferença aí é o uso ou não do progestagênio, assunto da próxima seção.
A indicação e a dose são revistas periodicamente. Não existe uma dose única nem um esquema padrão: dose, via, duração e regime são individualizados.
04 Riscos e benefícios
Riscos e benefícios, sem rodeio
Os números desta seção são da terapia hormonal sistêmica — comprimido, adesivo ou gel. Não se aplicam ao tratamento vaginal local de baixa dose.
A maior parte do medo em torno da reposição hormonal vem da primeira leitura de um estudo dos anos 2000, o WHI. Os dados desse mesmo estudo, acompanhados por mais de vinte anos, dizem o seguinte:
| Com terapia hormonal | Sem (placebo) | |
|---|---|---|
| Estrogênio + progestagênio (mulheres com útero) | 0,45% ao ano | 0,36% ao ano |
| Estrogênio isolado (mulheres que retiraram o útero) | 0,30% ao ano | 0,37% ao ano |
Em números redondos: cerca de 9 casos a mais de câncer de mama por 10.000 mulheres por ano com a combinação, e cerca de 7 casos a menos por 10.000 por ano com o estrogênio isolado.
Três coisas precisam ser ditas junto com esses números
- A redução observada com estrogênio isolado não era estatisticamente significativa durante o estudo. Ela só se confirmou no acompanhamento de vinte anos. É correto dizer que não houve aumento; não é correto dizer que o estrogênio protege a mama.
- Esse grupo era formado por mulheres que já haviam retirado o útero. Quem tem útero precisa do progestagênio, e o número que se aplica a ela é o primeiro.
- O estudo usou um esquema oral específico, com estrogênio equino conjugado e medroxiprogesterona — praticamente fora de uso hoje.
Os riscos absolutos da terapia hormonal em mulheres abaixo de 60 anos são classificados como raros: menos de 10 eventos por 10.000 mulheres por ano. No caso específico da mama, isso significa menos de um caso adicional por 1.000 mulheres a cada ano de uso — risco descrito como semelhante ao de duas doses de bebida alcoólica por dia, ao da obesidade e ao do sedentarismo.
Do outro lado da balança: alívio das ondas de calor e dos suores noturnos, melhora do sono e da qualidade de vida, tratamento da síndrome geniturinária, e prevenção de perda óssea e de fratura.
Nenhum tratamento é isento de risco, e nenhum resultado pode ser garantido. O que se pode fazer é colocar os dois lados na mesa, com números, e decidir junto.
05 Menopausa precoce
Menopausa precoce — por que o caso é diferente
Menopausa antes dos 40 anos chama-se precoce. Entre 40 e 45, inicial. A insuficiência ovariana prematura descreve a perda da função do ovário antes dos 40, com possibilidade de retorno intermitente — e de gravidez espontânea, que ocorre em cerca de 5% dos casos.
Aqui a conversa sobre risco se inverte, e vale ler devagar.
Os estudos que originaram o medo da reposição hormonal foram feitos em mulheres com média de 63 anos. As diretrizes internacionais afirmam expressamente que esses resultados não se aplicam a mulheres com menopausa precoce ou insuficiência ovariana.
O que se documenta nesse grupo é o contrário: a perda precoce da função ovariana está associada a maior risco de fratura, doença cardiovascular, insuficiência cardíaca, diabetes e mortalidade geral, além de perda óssea, sintomas geniturinários, alterações de humor e cognição.
Por isso a recomendação é manter a terapia hormonal pelo menos até a idade média da menopausa natural, em torno dos 52 anos — independentemente de haver sintomas. Não se trata de aliviar calor: trata-se de repor o que o organismo deixou de produzir cedo demais.
06 Consulta, convênio e o que levar
A consulta
A primeira consulta custa R$ 450. É uma consulta longa: a decisão sobre reposição hormonal depende do seu histórico, do que você sente, dos seus exames e do seu risco cardiovascular — não de um exame isolado.
O que trazer
| Mamografia | Feita há no máximo um ano. É o único exame que precisa estar em dia antes de iniciar o tratamento |
|---|---|
| Citologia cervical (preventivo) | Dentro do intervalo do seu rastreamento |
| Exames de sangue | Glicemia de jejum e perfil lipídico |
| Ultrassonografia transvaginal | Pedida na avaliação inicial deste consultório. Se você já tem uma recente, traga |
| Densitometria óssea | Se já tiver feito, traga. Se não, será avaliada na consulta |
| Lista de medicamentos | Tudo o que você usa, inclusive suplementos |
Se você não tem esses exames, não deixe de marcar por causa disso. A consulta serve também para pedi-los, e para pedir apenas os que fazem sentido no seu caso — exame sem plano definido de conduta não ajuda ninguém.
Depois que o tratamento começa
A reavaliação é anual: revisão da indicação, da dose e da via, mamografia mantida em periodicidade anual e, em quem usa hormônio por via oral, perfil lipídico anual.
Sangramento vaginal fora do esperado não espera a consulta anual. É avaliado assim que acontece, com ultrassonografia transvaginal e, se necessário, biópsia do endométrio.
Convênio
A consulta pode ser por convênio ou particular. As operadoras atendidas estão listadas na página inicial — e vale a ressalva que aparece lá: dentro de uma mesma operadora há planos aceitos e planos não aceitos. Confirme o seu plano pelo WhatsApp antes de agendar, porque a verificação é feita por elegibilidade individual.
Uma informação que evita frustração. O convênio cobre a consulta e, conforme o plano, os exames solicitados. Não cobre o medicamento: a Lei dos Planos de Saúde exclui o fornecimento de medicamentos para tratamento domiciliar, com ressalva apenas para antineoplásicos orais. O hormônio — comprimido, adesivo, gel ou creme vaginal — é comprado na farmácia. Os valores variam bastante entre apresentações, e isso entra na conversa da consulta, porque um tratamento que você não consegue manter não é um bom tratamento.
07 Consultório
Onde é o atendimento
MédicoMarcelo Pires Henrique · CRM-SP 103798 · RQE 24928 — Ginecologia e Obstetrícia
EndereçoAvenida Imirim, 3125 — Imirim, São Paulo/SP, 02465-400
Telefone(11) 3981-2372
Atendimento presencial. Não há teleconsulta.
08 Dúvidas
Perguntas frequentes
Reposição hormonal causa câncer de mama?
Com a combinação de estrogênio e progestagênio há um aumento pequeno do risco: cerca de 9 casos a mais por 10.000 mulheres a cada ano, o que equivale a menos de um caso adicional por 1.000 mulheres por ano — magnitude semelhante à de duas doses de bebida alcoólica por dia, da obesidade e do sedentarismo. Com estrogênio isolado, em mulheres que retiraram o útero, não se observou aumento. O risco existe, é pequeno, e depende do tipo de terapia, do tempo de uso e das características de cada mulher.
Tem hora certa para começar?
Sim. A relação entre benefício e risco é favorável para quem tem menos de 60 anos ou está há menos de 10 anos da menopausa. Iniciar depois disso é possível em situações específicas, mas exige avaliação mais cuidadosa, porque os riscos absolutos são maiores.
Por quanto tempo vou tomar?
Não existe prazo fixo nem idade em que o tratamento tenha de ser interrompido por regra. A recomendação é reavaliar periodicamente indicação, dose e via. Interromper aos 60 ou aos 65 anos apenas porque se chegou a essa idade não tem respaldo nas diretrizes atuais.
Adesivo é melhor que comprimido?
Depende do que se quer evitar. Para risco de trombose e de AVC, os dados observacionais favorecem a via transdérmica. Para risco de câncer de mama, as duas vias sistêmicas se equivalem. A escolha é feita na consulta, considerando seu histórico.
Entrei na menopausa muito cedo. Preciso repor?
Esse é o caso em que a resposta mais se aproxima de um sim. Os estudos que geraram receio foram feitos em mulheres bem mais velhas e não se aplicam a você. A recomendação é manter a terapia pelo menos até a idade média da menopausa natural, cerca de 52 anos, mesmo sem sintomas.
Só tenho ressecamento vaginal. Preciso de hormônio no corpo todo?
Não necessariamente. Quando a queixa é apenas geniturinária, o tratamento vaginal local de baixa dose costuma ser a melhor opção: age onde precisa, tem absorção mínima e, na maioria dos casos, dispensa o progestagênio.
Por que vocês pedem ultrassonografia transvaginal?
É a avaliação inicial adotada neste consultório antes de começar a terapia hormonal, e serve para conhecer o útero e os ovários no ponto de partida — o que torna mais fácil interpretar qualquer alteração que apareça depois, especialmente sangramento. Se você já fez uma recente, ela costuma servir.
Preciso fazer densitometria óssea?
A avaliação da massa óssea faz parte da consulta do climatério. As diretrizes indicam a densitometria para todas as mulheres a partir dos 65 anos, e antes disso quando existe pelo menos um fator de risco — menopausa antes dos 45 anos, fratura prévia por fragilidade, uso prolongado de corticoide, baixo peso, tabagismo, artrite reumatoide, histórico familiar de fratura de quadril, entre outros. Na prática, a maior parte das mulheres que chega ao consultório por queixas do climatério tem indicação, e o exame é avaliado caso a caso.
O convênio cobre o hormônio?
Não. A Lei dos Planos de Saúde exclui o fornecimento de medicamentos para tratamento domiciliar — a ressalva vale apenas para antineoplásicos orais. O convênio cobre a consulta e, conforme o plano, os exames. O hormônio é comprado na farmácia.
Vocês fazem o “chip” hormonal?
Não. Implantes hormonais manipulados com esteroides anabolizantes ou hormônios androgênicos para fins estéticos, ganho de massa muscular ou desempenho esportivo estão proibidos pela Anvisa. Fora dessas finalidades, restou uma exceção estreita, sujeita a receituário de controle especial, registro do CID, termo de responsabilidade e notificação obrigatória de eventos adversos — e nenhum órgão regulador afirmou que esses implantes são seguros. O que se faz aqui é terapia hormonal da menopausa com medicamentos registrados.
O conteúdo desta página é informativo e não substitui a consulta médica. Nenhum resultado é garantido. A conduta é definida individualmente, em consulta presencial.